Entrevista Adilson José Colombi - Luiz Gianesini

De Sala Virtual Brusque
Revisão de 16h33min de 12 de novembro de 2012 por Alicas (discussão | contribs) (Criou página com 'thumb|right|150 px|Adilson José Colombi.Filho de Rosa Teresa e José Colombi. Irmãos: Maria, Dionizio, Agatha, Estevam, Matilde, Rosa, Jo…')
(dif) ← Edição anterior | Revisão atual (dif) | Versão posterior → (dif)
Ir para navegaçãoIr para pesquisar
Adilson José Colombi.

Filho de Rosa Teresa e José Colombi. Irmãos: Maria, Dionizio, Agatha, Estevam, Matilde, Rosa, João, Francisco, Lino (falecido, ainda com 3 meses de vida), Luiz. Padre Adilson é o décimo, portanto o penúltimo.

Como foi a educação recebida dos Pais?

Meus pais eram pessoas simples, lavradores, com pouca instrução, mas sábios. Educaram seus 11 filhos, 10 vivos, tendo como ponto de referência uma escala de valores, constituída por valores humanos e cristãos, herdada dos seus pais, provenientes da cultura bergamasca e trentina do Norte da Itália. Além dos próprios filhos, ainda ajudaram a educar mais seis meninos de outras famílias, que os consideravam como filhos, oferecendo-lhes, sobretudo, a possibilidade de estudar.

Uma lembrança positiva da infância?

A vida simples, em contato com a natureza, em família unida, querida e prezada por todos. Tanto assim que o pai e a mãe eram chamados de ‘zio’ e “zia” (tio e tia, em italiano), mesmo sem ter parentesco algum.

E da juventude?

Minha juventude, a vivi no seminário de Corupá/SC. Ingressei no seminário com 12 anos e meio. Lembro, até com saudade, o coleguismo, a amizade, a convivência saída com os colegas. Sobretudo, os da minha turma. A pedagogia educativa se servia dos critérios da época. Hoje, certamente, discutíveis. Sem dúvida, a grande “loteria” ganha foi e é a sólida educação e formação, lá, fornecida e assimilada. Onde será, que, hoje, um jovem tem a oportunidade de vivenciar uma formação humanística-clássica deste naipe?

Seus estudos?

Sou, de fato, um privilegiado. Pois, desde que ingressei na escola com 6 anos e meio, só tive bons e ótimos professores. Houve algumas exceções. Poucas. De Botuverá à Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Itália, foram vários cursos. Primário (Botuverá/SC), Ginasial e Colegial –Clássico (Corupá/SC), Noviciado (Jaraguá do Sul/SC), Filosofia (Brusque/SC0, Teologia (Taubaté/S.P), Licenciatura em História (São Paulo/Capital), Bacharel em Filosofia (UFSC), Licenciatura em Filosofia (São João Del Rei/MG), Doutorado em Filosofia (Roma, Itália). Todos de elevado nível. Por isso, considero-me, repito, um privilegiado e agradeço sempre a Deus.

Adilson José Colombi.

Como surgiu sua vocação para Padre?

Creio que a graça de Deus supõe o ambiente natural. Os ambientes familiar, comunitário – vida eclesial da paróquia de Botuverá na época, escolar e educacional da época favoreceram, sem dúvida, grandemente na decisão de assumir esta proposta de vida.

Em que Paróquias exerceu seu ministério sacerdotal?

Fui ordenado presbítero (sacerdote), em 07.12.1969, em Brusque, junto com o diácono Murilo S. Ramos Krieger, hoje, arcebispo da Arquidiocese de Florianópolis. Exerci o ministério presbiteral em Taubaté e São Paulo, capital, em 1970. Em 1971, fui transferido para Varginha, Sul de Minas, onde permaneci até 1978. Em janeiro deste mesmo ano, fui para a Paróquia do Méier, zona norte do Rio de Janeiro. E, em setembro do mesmo ano, fui enviado a Roma para realizar o curso de preparação para o magistério de Filosofia, na Pontifícia Universidade Gregoriana. Lá permaneci por dois anos e meio –dois anos em Roma e meio em Paris (França), tempo em que elaborei e defendi a tese de doutoramento em Filosofia, cujo título é: “ O problema da libertação da pessoa humana, na Antropologia Personalista e Emamanuel Mounier” (E. Mounier, filósofo personalista francês, nasceu em 1905 e faleceu em 1950). Em 1981, vim para Brusque para lecionar Filosofia onde até hoje trabalho no Ensino Superior e na Paróquia São Luiz Gonzaga. Foi a necessidade de professores de Filosofia que me trouxe a Brusque.

Falei um pouco de sua vida no Magistério

Leciono porque gosto daquilo que faço. Se os meus alunos gostam... alguns dizem que sim! É cansativo. Mas, observando o crescimento e a maturação dos estudantes ao longo do curso de Filosofia, por exemplo, onde leciono atualmente, é gratificante perceber os avanços e progressos. Sempre considerei o Magistério como um “areópago” onde se pode debater, propor, aprofundar, vivenciar valores humanos e cristãos que auxiliam na construção de uma sociedade e uma cultura mais justas, fraternas e solidárias.

Por que tantas pessoas estão com depressão? Alguns jovens ainda?

Depressão, estresse, esgotamento nervoso... segundo se diz não há uma causa específica, mas um conjunto de causas. As mais variadas. Parece-me que algo como: trabalho excessivo e mal planejado, má alimentação, perda de sentido ou razão para viver, grandes decepções ou derrotas afetivas , ódios, falta de perdão, excesso de álcool e outras drogas, vida conjugal em desarmonia constante, situação econômica-financeira... tem muito a ver com esses males, que, hoje, chamamos depressão.

Como é o seu lazer?

Lazer? Bem, meu lazer é a leitura. Desde jovem, no seminário, sempre fui afeito a devorar livros, revistas, jornais. Um dia sem poder ler algo não é fácil vivê-lo. Não sou muito dado a leituras de ficção. Prefiro os conteúdos de História, Psicologia, Antropologia, Filosofia e Teologia. Aprecio muito boa música. Sobretudo, a erudita ou clássica e gregoriana. Sem menosprezar, a folclórica ou referentes às etnias italiana e alemã. Gosto de assistir um bom jogo de futebol pela TV ou um bom filme.

O Brasil tem jeito?

Tem! Mas, nós, os (as) brasileiros (as), temos que mudar bastante. Creio que uma das mudanças mais urgentes seja aprender a votar, isto é, a saber escolher nossos dirigentes políticos. Pois, todos os escândalos descobertos - quantos que não foram!: mensalão, mensalinho, sanguessuga, dossiê... na sua maioria são obras de políticos, eleitos ou de pessoas por eles indicados para cargos de confiança. Não adianta muito combater o efeito, se a causa permanece presente e atuante. Para isso, se faz necessária nova visão e orientação da política, sobretudo partidária, começando pela formação de partidos políticos e não de siglas, apenas. Claro que todos nós temos que achar um jeito de sair deste acomodação geral e engolir, passiva e continuadamente, a impunidade vigente, em quase todos os setores de nossa vida sócio-cultural, sem esboçar uma reação razoável. É preciso saber pressionar, por todos os meios legais, os responsáveis por esta situação para que tenha um “basta” definitivo a impunidade em todos os casos, sobretudo, a que protege os corruptos e corruptores.

Já pensou em escrever um livro?

Já! Tenho alguns na mente. Outros já estão mais ou menos esquematizados. Como sempre, porém falta o precioso tempo. Quem sabe depois de me aposentar!

Com a saída da mulher do lar para o mercado de trabalho, os filhos estão perdidos?

Sem dúvida, a entrada da mulher no mercado de trabalho e de negócios, tirou-a ou afastou-a do ambiente familiar. Tal fenômeno trouxe conseqüências altamente benéficas. Mas, também, maléficas.Tanto para a mulher, como também para a feminilidade, para a família, para o ambiente sócio-cultural em geral. Hoje, já se tem larga literatura e estudos a disposição que analisam tal situação e condição da mulher. Agora, depende não só da mulher , mas dela, da família, da sociedade encontrar os melhores caminhos para situar-se e integrar-se nesta nova realidade sócio-cultural, que surgiu a partir deste fato.

Referências

  • Jornal Em Foco. Entrevista publicada aos 30 de junho de 2004.