Os difíceis dias da colônia Príncipe Dom Pedro - Ayres Gevaerd

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Os difíceis dias da Colônia Príncipe Dom Pedro

  • AYRES GEVAERD

No dia 4 de agosto de 1960, desfraldou-se pela primeira vez, em Brusque, oficialmente, a Bandeira da Polônia. Os brusquenses prestavam então homenagem aos países que contribuiram para a colonização do vale do Itajaí Mirim, há 100 anos: Alemanha, Itália e Polônia. No banquete ofi-cial comemorativo realizado na-quele mesmo dia, representando o Ministro Plenipotenciário da Polônia no Brasil, integrante da Comissão de Honra das comemo-rações do Centenário, achava-se presente o sr. Piotr Glovacki, Cônsul em Curitiba. Ainda como parte das comemorações, no dia 30 de julho sob os auspícios da Sociedade Amigos de Brusque e da Secretaria de Cultura de San-ta Catarina, foi instalada a Expo-sição do "Cartaz Polonês". A "Superintendência das Co-memorações do centenário da imigração polonesa no Paraná" festejou condignamente, em 1971, a chegada dos primeiros polone-ses naquela Província, oriundos da Colônia Príncipe D. Pedro, en-tão sob a mesma administração da Colônia Itaj ahy — Brusque. Em 1957, quando o consagra. do historiador catarinense Dr. Osvaldo R. Cabral reunia docu-mentos para o livro "Brusque —Subsídios para a história de uma Colônia nos tempos do Império", pouco ou quase nada se encon-trou relacionado com os poloneses no Vale do Itajaí Mirim. Em 1962, no IRASC, antigo Departa-mento de Terras e Colonização, foram encontrados dois maços com documentos de administra-ções da malograda Colônia Prín-cipe Dom Pedro, que permitiram, não completar, mas trazer me-lhores esclarecimentos com rela-ção aos colonos de "16 lotes". O arquivo da Prefeitura de Blumenau contribuiria com outra parcela, remetendo para a Socie-dade Amigos de Brusque livros que pertenceram ao 2°. Distrito do Comissariado de Terras e Co-lonização, nos quais se encontram muitos registros de requerimen-tos que esclarecem a situação dos poloneses no Lajeado Grande, perto de Porto Franco, hoje Bota-verá . Finalmente buscas feitas nos Registros da Igreja Católica local serviram para dar novas luzes a aspectos até agora sem solução, complementados por relatos de pessoas idosas residentes em Bo-tuver á. Duas designações, "16 lotes" e "Cemitério dos Polacos", foram pontos importantes a requerer explicações, mais profundas e ser-vindo, como se verá, para esclare-cer a exata localização dos pri-meiros poloneses que iriam esta-belecer-se em Pilarzinho, no Pa-raná, em 1871. • Em agosto de 1869, quatro meses antes da anexação do ter-ritório da Colônia Príncipe Dom Pedro (I) à "Itajahy - Brusque", chegaram e foram instalados em uma Linha Colonial os primeiros colonos de origem polonesa em número de 94 (2) e em Setembro seguinte mais 22. A extensão des-sa Linha, quase toda demarcada pela Administração, compreen-dia Lajeado, Porto Franco e Ri-beirão do Ouro com sede em Por-to Franco, em, grande parte ocu-pada por italianos originários do Norte da Itália.

A leva de poloneses instalou-se no lugar "16", situado no ri-beirão do Porto Franco, margem direita do rio Itajaí Mirim. Re-gião montanhosa como é toda a Linha colonial citada, com pou-cas áreas realmente boas para lavoura, era, ao tempo, rica em madeiras de lei, riqueza que lhes iria dar sérios embaraços.

O colono italiano, cuja incli-nação para o amanho da terra não era o forte, tratou de apro-veitar a mata, instalando enge-nhos, cujo número se multiplica-va ràpidamente. A quantidade dos engenhos era facilitado pe-los muitos cursos de água, co-muns em terras montanhosas co-mo é a região do médio e alto va-le do Itajaí Mirim. Não satisfei-tos com a mata existente em seus próprios lotes, a maioria dos do-nos de engenhos de serra invadia a do vizinho mais próximo.

Em face do que ocorria, os poloneses, mais inclinados ao a-proveitamento do solo, reclamaram à administração colonial, que advertia severamente os infrato-res. Os diretores João Detzi e Luiz Betim Paes Leme lamentavam as irregularidades em sim-ples ofícios e nos relatórios anuais e até especiais.

As melhores terras foram to-madas, logicamente, pelos coloni-zadores germânicos, os primeiros a chegar à Colônia Brusque. Na Príncipe Dom Pedro, boas terras existiam no vale do Cedro e mais longe no vale do 'T'ijucas. A área maior, como já citei, era aciden-tada, montanhosa, de difícil aproveitamento para uma lavoura que permitisse a subsistência e o co-mércio com o produto excedente. A mata foi, assim, o recurso ex-tremo de muitos colonizadores. Mas o aproveitamento foi desor-denado, sem planejamento, im-possível, é verdade, em região pri-mitiva como era então, ser cuida-da pelos administradores.

Os poloneses, objeto de nossa crônica histórica, além das pres-sões que sofriam com as frequen-tes incursões de seus vizinhos, do-tados, provavelmente, de melho-res recursos técnicos, reclamavam do diretor o mesmo tratamento dispensado a outros emigrantes, italianos, irlandeses e franceses, estes dois últimos instalados nas proximidades da Colônia Brus-que, Águas Claras. Em suma, queriam sossego, uma Escola e uma Capela.

Desgraçadamente, a Colônia Príncipe Dom Pedro, desde seus primeiros dias, não foi feliz. Seus primeiros povoadores, ingleses e irlandeses, não possuiam condi-ções mínimas para colonização, apesar do auxílio que lhes dispen-sava o Governo: dinheiro, alimen-tacão, material agrícola, além de assistência religiosa e médica. Não procediam diretamente de suas Terras; não obedeciam a um sistema colonizador organizado e consciente. Foram, quase todos, recolhidos nos E.U.A., em Nova York, e, segundo documentos mais precisos, vivendo ociosamen-te. O comportamento deles na nova Colônia era a continuação de seu "modo de viver" nos Esta-dos Unidos. Como se isto tudo não bastasse, outro grupo, menor, contribuia para o agravamento dos males da Colônia, o francês, instalado em Tomás Coelho e Ce-dro Alto. Em virtude da ociosida-de quase total desses colonos, os atritos eram frequentes, deixando as administrações em constante sobressalto. Em menos de 3 anos, por exemplo, 5 diretores se suce-deram, levando o Governo Pro-vincial, depois de gastar somas e-normes, a anexar a Colônia à ad-ministração da Colônia Brus-que. A situação era, pois, insegu-ra, para todos os colonos, exclusi-ve para determinado número de italianos, que garantiam seus dias com o aproveitamento da madei-ra e mais tarde com o ,calcáreo. Posição insustentável para os nossos poloneses, vivendo dias cada vez mais atribulados: pres-são dos donos de engenhos de serra, a vizinhança incômoda de "Rodges Road"; a falta de esco-la e de uma Capela; a frequente presença de bugres, tormento também de outros colonos. Certo dia, chegaram a "16 lo-tes" notícias da Província do Pa-raná: interesse do Govêrno Pro-vincial, em abrir novos rumos co-lonizadores, em terras cujas .con- dições eram conhecidas como ex-celentes. Emissários foram en-viados, sabe Deus com quantos sacrifícios, pois não tinham meios de locomoção, seria a pé! Em Curi-tiba, com credenciais necessárias, cuidariam da transferência de to-dos os colonos de "16 lotes", an-siosos por trabalho que lhes ga-rantisse o porvir, sem encargos pesados e sobressaltos. Sebastião Edmundo Saporski (3) seria o intermediário de seus patrícios. Reunia condições espe-ciais que o caracterizavam como um guia seguro e decidido. Sa-porski solidarizou-se com a sorte de seus compatriotas. A crônica histórica não regis-tra, diretamente, a presença do guia na Colônia Príncipe Dom Pedro. Mas, para um trabalho de tal envergadura e responsabilida-de, Saporski deve ter cuidado pes-soalmente da transferência e dos primeiros serviços em Pilarzinho. O processo do transporte é ignorado. Creio, como o mais lógico, a saída de todo o grupo de uma só vez, em canoas, até o Ita-jaí, e, desse porto em navio até Antonina. Do porto até Pilarzi-nho, em Curitiba, em carroças. Os dois anos da presença da primeira leva de poloneses no. médio vale do Itajaí Mirim, em "16 lotes", ficaram ligeiramente registrados nos livros e documen-tos da administração. Mas, na Igreja Católica local encontram-se anotações dos vínculos com a ter-ra, profundos, sentimentais: o "Cemitério dos Polacos", em Prín-cipe Dom Pedro. A partida para outra regiões, mais promissoras, lhe daria espe-ranças; mas os olhos velados por lágrimas ficariam voltados para a Colônia que não os recebeu como realmente mereciam. Sairam pa-ra sempre, deixando a saudade e a ternura no pequeno cemitério. (4) • De conformidade com o do-cumento de 14 de agosto de 1871 (5) o êxodo dos poloneses da Co-lônia Príncipe Dom Pedro fora total. Com relação ao seu núme-ro, há uma pequena diferença, justificada pela maior ausência de registros oficiais. Depois de 1872, não existem anctações específicas, acusando a presença de colonos poloneses. Em 1888, o engenheiro chefe da Comissão de Medição e colocação de imigrantes nas colônias Dom Pedro e Itajay — Brusque, Dr. Reginaldo Cândido da Silva, re-gistra em seu relatório, 26 polone-ses, católicos. Presumo que a chegada de novos colonos, verificou-se entre 1888 a 1890, em grande número, originários de várias regiões da Polônia, entre outras, Moava, To-machow, Borupia, Lodz e possivel-mente, poucos, de algum núcleo colonial no Brasil. A instalação verificou-se nas linhas Lajeado, Porto Franco, Ri-beirão da Areia, Ribeirão do Ou-ro, no vale do Itajaí Mirim; Mor-ro dos Polacos e no vale do Tiju-cas nas linhas Boa Esperança e Fraternidade, entre outras. Re-firo-me somente ao território da antigo Colônia Príncipe Dom Pe-dro. Para a linha Guabiruba do Norte, la . seção do Distrito de Gaspar, território da Colônia Ita- 5 jai — Brusque em 1890, foram destinados colonos de origem ger-mânica vindos de Lodz entre ou-tros, Francisco Kreibich, Carlos Petermann, Thomaz Orcimovscki, João Kammerlinde e Guilherme Kurtz. Os artesões de Lodz como se-riam conhecidos mais tarde os poloneses instalados em Guabiru-ba e outros ainda, chegados pou-cos anos depois, merecem cuida-dos especiais na história da in-dústria têxtil brusquense. Em princípios de 1896 che-garam 106 imigrantes russo — poloneses, aos cuidados da Agên-cia de Colonização na Vila de Brusque, previamente destinados para o Ribeirão do Ouro, Lajeado Grande, Pinheiral (Nova Trento) e Fábrica de Tecidos de Carlos Renaux. Acredito que, com base em registros da Agência de Coloniza-ção Geral de Terras, 2°. Distrito, a leva de 1896 foi a última origi-nária da Polônia para o Itajaí Mi-rim. Nos anexos (6) anoto os no-mes de um grande número de po-loneses entrados nos anos 1888 a 1890 e respectivas linhas colo-niais, para possibilitar pesquisas por parte de descendentes, com relação ao destino de seus maio-res e identificação dos nomes de família com as existentes e identi-ficadas com a vida brusquense. Nos aludidos livros encontram-se termos de requerimentos de co-lonos poloneses requerendo terras e condicionando pagamentos em prestações nas linhas Ribeirão Mi-guel, Ribeirão Francês e Ribeirão Joaquim, todas naj. ex-Colônia Luiz Alves. Alguns sobrenomes: Mi-ehalack, Toleck, Ilimoscki Lu-dowski, Vanzeski, Kangerski, Lig-ner, Lipinski, Gravalski, Malinski, Ostrowski, Grabowski, Psebeski, Rinckiawiki, Vitachick, Vrobews-ki, Poleski, Hernaski, Czaplinski, Krochiski, Czaplinski, Terakows-ki, Kolombinski . Reconheço que o registro des-ses colonos nada tem a ver com os poloneses de Príncipe Dom Pe-dro. Lembro os requerimentos e os sobrenomes na esperança de interessar aos estudiosos da colo-nização polonesa no sul do Bra-sil. Edmundo Gardolinski, que publicou excelentes crônicas his-tórias do jornal "Diário de No-tícias" de Porto Alegre, em 1981, e que aqui esteve, há alguns anos, recolhendo subsídios para os seus importantes relatos, certamente concordará comigo. • Volto aos poloneses entrados nos anos de 1888 a 1890. Sabe-se, pela tradição oral, que se disper-saram lentamente, sem alarde, à. procura de melhores terras, de tranqüilidade, possibilitando me-lhores dias. Poucos lembram hoje as des-venturas dos primeiros morado-res de "16 lotes", e duas décadas depois em suas proximidades, no mesmo distrito colonial, Porto Franco. As razões do êxodo pois, sob aspecto da tradição familiar, são imprecisas, vagas. A verdade en-contra-se nos livros e documen-tos que citei. Repetiam-se as o-corrências de "16 lotes". Ilustro-as com 2 requerimentos dos mui-tos que existem. Nicolau Wietkowski recebeu em 1891 o lote no 17 na linha Braço Esquerdo do Lajeado Gran-de. Abandonou-o e anos depois propôs comprá-lo, mediante pa-gamento em prestações e prazo de 5 anos. Abandonou-o (infor-- mação de J.J. Virgilio da Silva — Agente interino do Comissaria-do de terras e colonização) em 2.2.1902 porque sofria persegui-ção e dificuldades do cidadão..., que desenvolvia, nesse tempo, aos colonos dessa linha, para mais a gosto apropriar-se e explorar ma-deiras de lei aí existentes e aon-de estabeleceu engenho de ser-ra. São esses os serviços presta-dos, continua o Agente, ao rece-ber o requerimento, pelos explo-radores de madeira os quais, além de apropriarem-se das matas do Estaoo, dificultam o povoamento e desenvolvimento do solo. Com o recuo do invasor, o requerente poderá voltar tranqüilamente ao seu lote. Em 18i de janeiro de 1902, Jo-sé Caresia requer o lote n° 7 da linha Braço Esquerdo do Lajeado Grande, que pertenceu a Marce-lo Burkert, que o abandonou, tendo recebido como auxílio do Estado, 27$600. Caresia tomou conta do lote como intruso, ins-talando engenho de serra. Outro requerimento, nas mesmas con-dições, de um lote que pertenceu a Antônio Goschinski. Muitos são, pois, os requeri-mentos de donos de engenhos de serra, interessados nos lotes de poloneses relacionados no anexo 6. Núcleos colonizadores no Rio Grande do Sul, no sul do Para-ná e outros, mais próximos, Pi-nheiral, por exemplo, receberam, a partir de 1900, famílias da li-nha do distrito Porto Franco. O número que permaneceu em seus lotes originais e outro que procurou identificar-se com a so-ciedade brusquense na então vi-la de Brusque, é muito reduzido. Seus descendentes lembram, fre-qüentemente, os atribulados dias de seus maiores. Nada mais existe no velho "Cemitério dos Polacos" em Prín. cipe Dom Pedro, exceto uma grande cruz de madeira que no dia de Finados pessoas piedosas enfeitam com flores naturais. • Anexo 1) -- Colônia Príncipe Dom Pedro, criada em 16.1.1866, instalada a 15.2.1866. Foi ex-tinta a 6 de dezembro de 1869, por Aviso do Ministério da Agri-cultura e mandado anexar o seu território ao da Colônia Itajaí-Brusque. A Sociedade Amigos de Brus-que instalou um Marco nas pro-ximidades da confluência do Ri-beirão Aguas Claras e rio Itajaí Mirim para assinalar o local da sede da Colônia. • Anexo 2) Cópia do original -N° 5G — Diretoria da Colônia Itajahy-Brusque em 31 de Agosto de 1869. Ilmo. e Exmo. Senhor: Tenho a honra de submeter á V. ∎EXcia. o orçamento incluso, calculado para as despesas á fa-zer com 94 colonos novos, de na-ção polacos, aqui chegados no corrente mês de Agôsto, e peço respeitosamente á V. Excia., que se digne de mandar consignar na Thezouraria da Província, pagá-vel ao procurador da Colônia em Desterro, Snr. Fernando Hac-kradt, a quantia de Rs 7:894$500, especificada no dito orçamento. Também ajunto uma relação nominal dos colonos chegados no decurso deste trimestre; para os 60 primeiros colonos já tive a honra de submeter á V. Excia. o orçamento especificado com o officio n° 41 de 18 de Julho no importante de Rs. 5:054$000, cuja quantia já recebi inclusa naquel-, la, que me foi paga á conta do Trimestre presente. Constando que já forão dirigi-dos á esta Colônia mais 22 famí-lias de colonos novos, peço res-peitosamente á V. Excia. que se digne de mandar consignar em breve o importe do orçamento supra de Es. 7:894$500 como também o resto do orçamento tri-mestral, que junto com o off ício n° 38 de 1 de julho tive a honra de apresentar á V. Excia. Deos Guarde V. Excia. Ilmo. e Exmo. Senhor Coro-nel Joaquim Xavier Neves — Dig-nissimo Vice Presidente da Pro-víncia de Santa Catarina. O Diretor: F. von Klitzing. • Anexo 3) Cópia do original — N°. 83 — Diretoria das Colô-nias Príncipe Dom Pedro e Ita-jahy, em 20 de Outubro de 1871. Ilmo. e Exmo. Senhor: Accuso recebido o officio de Va. Excia. datado de 7 do cor-rente, que accompanhou cópia do Aviso do Ministério da Agricultu-ra, Commércio e Obras Públicas com data' de 26 do mêz próximo passado à cêrca da 'emigração de colonos da Colônia Príncipe- Dom Pedro, para a ProvínCia do Para-ná. Tenho a honra informar a V. Excia. que na Colônia havia 97,polacos; em 22 de A,gôsto do anno próximo passado o EXmo antecessor de V. Excia. remetteo a esta. Directoria um lelegra.mma do Presidente da Província do Pa-raná em que perguntava se os ditos polacos não tinham manda-do um seu-patricio ,de nome Se-bastião Saporsky para procurar transferi-los para aquela Provín-cia, em officio de 6 de Setembro informei a Sua EkCia. do que me responderam aquelles colonos. Em Outubro chegarão mais 46 'polacos, foram recebidos mui-to bem e igualmente tratados, dentro de 6 dias já todos estavam nas lotes que por êles tinham si-do escolhidos e logo foram em-pregados em serviços coloniais; pouco tinha decorrido da instala-ção deles, começarão se queixar contra os tiradores de madeiras, as boiadas destes estragaram as plantações =dos colonos; a este respeito pedi providencias por mais de uma vez; queixaram-se também de não ter uma escola para educar os seus filhos e uma Capela para ouvirem Missa; para êsses dois melhoramentos pedi a V. Excia. e ao Governo Imperial em 19 de Dezembro do ano pas-sado, em mês de' Maio do corren-te ano, estando eu com licença no Rio ,de -Janeiro pedi ao Gover-no Imperial e em 29' de Julho ins-tei com V. Excia. para o mes-mo fim;- em 20, de Setembro ui- 8 timo, V. Excia. se dignou man-dar-me o Aviso . do Ministério d'Agricultura Commercio e Obras Públicas em que me autoriza a criação de uma escola e constru-ção da Capela. Estes colonos polacos vendo também que o serviço quasi se a-chava parado por falta de orça-mento tecnico e por não haver Engenheiro ou. Agrimensor habil para o fazer e coma lhes constas--se que na Província ,do Paraná a-chava-se muito serviço de estra-das e como já da Colônia Blume-nau tinhão emigrado para aque-la Província muitos colonos em Abril do corrente ano, achando-me eu no Rio de Janeiro os referi-dos polacos mandaram dois de seus , companheiros na referida Província e ali trataram suas-mu-danças e no mês de Julho tudo -le-vei ao conhecimento de V. Excia. a este- respeito. O motivo imperioso ao meu vêr é que colono nenhum poderá parar na Colônia Príncipe Dom Pedro em quanto aí existiram as serrarias de madeiras, que aumen-ta diariamente a entrada dos es-peculadores ligados com outros, piores que é um Leo Arnoldi, etc. Se o Govêrno Imperial atender mandar acabar com as ditas ser-rarias a Colônia pode prosperar e ficar uma das melhores, por ter todas condições necessarias. Aqui tem se passado escrituras fraudu-lentas, vendendo e comprando terras sem estarem quites com a Fazenda. Va. Excia. tem conhe-cimento disto pelo meu officio de 27 de Junho, igualmente pedi pro-vidência á este respeito á Autori-dade Civil da 'Vila de Itajahy, na-da se tem feito, os. especulado-res de madeiras cada vez mais a-coroçoados e os colonos sofrem dêles, ficando desgostosos e que-rem emigrar. Deos Guarde á V. Excia. Ilmo. e 'Ebano. Snr. Dr. Joa-quim Bandeira de Gouvêa — DD. Presidente da Província de Santa Catarina. JOÃO DETSI - Diretor • Anexo 4) No livro de regis-tros de óbitos da igreja Católica local, encontrei os seguintes: "No dia 11 de outubro de 1870 faleceu o inocente João Otto com a idade de um ano e cinco meses e foi en-terrado no dia doze, no cemitério dos Polacos na dita Colônia. O falecido é filho de Simão Otto e Rosalia Gabriel". No dia 21 de dezembro do mesmo ano, Margarida filha de Ignacio Millek e de sua mulher Suzana Kubis. Em 1871, no dia 2 de janeiro, Maria Anna Stemka; 3 de janeiro, João Purkott; 14 de Janeiro, Mar-garida, filha de João Hileck; 26 de fevereiro, Juliana Gbur. Todos os falecidos eram crianças com pouco mais de um ano, indican-do a idade, o nascimento na pró-xima Colônia. Os sobrenomes Gbur, Stemp-ka e Purkott, se identificam com participantes da leva dos imigran-tes que primeiro chegou a Pilarzi-nho . • Anexo, 5) — Cópia do original Ilmo. Senhor Diretor: Nós abaixo assinados colonos, da Colônia Itajahy na grande cri- se em que atualmente se acham as colônias por falta absoluta de moeda, não tendo vindo há perto de um ano dinheiro algum para essas colonias e não podendo nós, ainda querendo quasi nunca mais ganhar dinheiro e, enfim não podendo nos com viveres só satis-fazer ainda aos nossos mais inde-clinaveis misteres, tomamos na dura necessidade, em que esta-mos, cheios de confiança a liber-dade de recorrer á Va. Sa., nosso incansavel e digno. Senhor Dire-tor pedindo-lhe Digne-se fazer constar nossa miseria ao Govêrno de S. M. para que esse mesmo Governo sempre Cão generoso pa-ra com os estrangeiros Digne-se, achando justa a causa mandar-nos outra vez para serviços de es-trada as quantias, que Va. Sa. achar indispensaveis, para nos po-dermos existir aqui com nossas famílias e para não se apoderar também desta Colônia este fatal espirito de desanimo e desconten-tamento que fez sair antes os Ir-landeses e Ingleses e agora toda a população polaca, estando nós firmes para ficar, si nos restarem os meios absolutos para, podermos viver aqui nós e nossos filhos. Colônia Itajahy, 14 de A-gôsto de 1871. Ilmo. Senhor Major João Detsi — Digno. Diretor das Colô-nias Príncipe Dom Pedro e Ita-jahy. Seguem-se 106 assinaturas. • Anexo 6) — Braços esquer-do e direito do Ribeirão Lajeado Grande — Porto Franco: Moisek Przibilski, Julio Wosniack, Fran-cisco Kociela, José Marcianiack, kicolau Wietkowski, Francisco Schafrcinski João Dolifka, José Kaizmareck, Pedro Simianowski, Stanislau Rosieczki, Antônio Glo-waczki, Vicente Drzenwinski, Jo-sé Sakrenta, Ignacio Suma, Cle-m.ens 'Soboleski,k Stanislau Ko-towski, Antônio Gesezinski, José Korolski, João Marcuzewski, Sta-nislau Dolinski, Wladislau Ko-towski, Albin Nasguevitz, Antô-nio Stono, Julio Selonke, Woizeck Przibiloski, Francisco e Wladislav Siedlarzicki, Martin Troardows-ki, Stanislau Prasa, André Fol-kowski, Marcelo Burkert, Antônio Goschinski, Teofilo e João Klin-kowski, Carlos Lipowski, Fran-cisco Mankowski, A. Rogoski, Ste-fan Ginlas, Antônio Zeiss, Mi-guel Zabelski. (Lotes abandona-dos em 1891). Ribeirão da Areia: Miguel Walendowski, Estanislau Gers-ki, Alfredo Grigerowski. Margem direita do Rio Itajaí Mirim, também distrito de Porto Franco: Wladislau e Francisco Siedlarsczick, Adolfo Dereschews-ki, Casimiro Borkewicz, Adolfo Zieski, Guilherme Marczeweki, José Koscielne, Otto Simbitzki.



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