João Indaya Schaefer

De Sala Brusque Virtual

  • Marlus Niebuhr, Historiador.

No século XIX, a região do Vale do Itajaí, é palco do projeto de colonização do Governo Imperial do Brasil. Na ocasião, vindos da Europa, imigrantes alemães e italianos desembarcam em busca de terras e melhores condições de vida, os pioneiros não estava preparados para as condições adversas que enfrentariam. No mesmo período, no interior das matas, o povo Xokleng, que sobrevivia da caça e da pesca, percorrendo os vales e o planalto de Santa Catarina, assistem com desconfiança e temor a chegada destes estrangeiros, os confrontos foram inevitáveis.

Se desconsiderados pelo Governo Imperial, em primeiro momento, o Estado, não tarda em organizar a “ Companhia de Pedestres”, um grupo armado com autorização para enfrentar a “ameaça dos bugres”, como eram conhecidos no linguajar da época. Os confrontos continuaram, e em 1905, o superintendente do município de Brusque, Vicente Schaefer, organiza uma expedição, de “Bugreiros”, que destruiu um acampamento XoKleng, trazendo como sobrevivente um menino. Esta é a história da criança capturada: João Indaya Schaefer

De sua infância pouco sabemos. A data “oficial” de nascimento é 24 de junho de 1903, os pais adotivos: Vicente Schaefer e Maria Rosa Schaefer. A data escolhida faz menção ao nascimento do profeta João Batista, na época a criança contava com aproximadamente 8 anos.

Na juventude, já se destacava como jogador e foi escalado pelo primeiro clube de futebol da cidade, o Sport Club Brusquense. No trabalho, atuou na Fiação e Tecelagem Carlos Renaux, ingressando na empresa em 1º de maio de 1924, na profissão de tintureiro, foi cumprindo seus afazeres que sofreu um grave acidente, ferindo e queimando sua perna com soda cáustica, permaneceu na empresa até 1945. Depois, ocupou a função de auxiliar de armazém na “Casa ABC”, estabelecimento comercial da família Schaefer.

Religioso, freqüentava a missa aos domingos de manhã, era excelente cantor, fazendo parte do Coro São Luiz. Casou-se com Antônia Maria Benatti, natural de Nova Trento. O casal não teve filhos, mas adotaram dois meninos Lidovino e Otávio Zancanaro, com os quais tinham laços de parentesco.

Nos festejos do Centenário de fundação da cidade, desfilou em carro alegórico “A Maloca do Bugre” que representava os povos nativos da região. Menos de um ano depois, em 07 de maio de 1961, João Indaya Schaefer faleceu, sendo sepultado, no cemitério do bairro que residia: Santa Terezinha.

Em sua homenagem foi denominada pela Prefeitura Municipal, em 14 de julho de 1969, a Praça “João Indaya Schaefer”, localizada na Rua Santos Dumont, entroncamento com a Rua Jacó Knihs. A grafia do nome – Indaya ou Indaiá – foi alterada ao longo do tempo, por diversos autores, nesta biografia seguimos a grafia utilizada na Lei Nº 401/1969 que denominou a Praça “João Indaya Schaefer”.

Referências

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