Entrevista Daiana Abreu - Luiz Gianesini

De Sala Brusque Virtual

A entrevistada da semana é a advogada Daiana Abreu, nascida em Maringá/PR em 12/01/1973; filha de Maria das Vitórias Abreu e José Abreu Pereira; um filho, Gabriel de Abreu Mello. Advogada. Atualmente exercendo o cargo de Procuradora Adjunta na Procuradoria do Município de Brusque

Sonho de criança?

Quando era criança, sonhava em ser médica obstetra. Brincava com massinha fazendo operações nos bonequinhos.

Quais são as lembranças que você tem da sua infância?

Tenho lembranças doces de brincadeiras livres, brincando de casinha em árvores, em baixo da plantação de mandioca, brincando em muros, nadando em corredeira do Rio Ivaí. Uma outra lembrança que marcou a minha vida, foi a morte do meu pai, quando eu tinha 6 anos de idade que foi bem difícil superar.

Você tem amigos da infância ainda?

Sim, apesar da distância, mantemos contatos até hoje.

O que sente falta da infância?

Das brincadeiras com os amigos, das amizades, da vida sem preocupações e tantas responsabilidades.

Quando você era criança queria ser adulto?

E como! Eu contava os dias pra completar os 15 anos, depois os 18.

Como foi sua juventude? O que você mais gostava de fazer para se divertir?

Foi muito boa, tranquila. Frequentava muitos bailes e danceterias. Sempre gostei muito de dançar.

Pessoas que influenciaram?

Profissionalmente, o que mais me marcou foi meu pai. Era advogado, mas como o perdi quando ainda era criança, acabei gerando uma aversão à profissão. Mais tarde, depois de tanto relutar, acabei me entregando e seguindo a profissão dele. Como pessoa, sem dúvida a minha família, pela honestidade, hombridade e pelo espírito de luta.

Como era a escola quando você era criança? Quais eram suas melhores e piores matérias?

Sempre fui uma aluna dedicada na escola. Minha mãe era inspetora de educação e como a cidade era pequena, todos me conheciam. Minhas notas eram excelentes. Tive um pouco de dificuldade apenas quando fui estudar o segundo grau em Maringá. Nesta época sofri muito com física. Sem dúvida, esta foi a pior matéria da minha vida.

De que atividades escolares e esportes você participava?

Na escola eu era bastante ativa. Participava de apresentações em dias comemorativos apresentando danças, jograis, desfile quando fazia parte da fanfarra da cidade, em jogos escolares, pois participava do time de voley e handebol do colégio.

Formação escolar desde o início dos bancos escolares?

Estudei parte da minha vida escolar em colégio particular, parte do primário e segundo grau (colégio religioso) e parte em colégio estadual (da 4ª série à 8ª). Na época, fiz opção por fazer o segundo grau técnico em magistério no período da tarde, e pela manhã, cursava o médio para vestibulares. Em 1997 me formei em Pedagogia. Em 2000 me matriculei no curso de Administração de Empresas com ênfase em análise de sistemas, mas tranquei a matrícula na metade do curso, por licença maternidade. Quando retornei aos estudos em 2004, iniciei o Curso de Direito, concluindo em 2008, com aprovação na OAB em 2009.

Nas suas atividades diárias com o Executivo Fiscal, o que envolve como procedimentos?

Considero procedimentos, desde o atendimento ao contribuinte/executado até a extinção do processo. Procuro atuar conjuntamente com os servidores da Secretaria da Fazenda, pois assim, garantimos maior segurança no desenvolvimento do trabalho público.

Aproximadamente quantos processos são ajuizados anualmente?

Depende. A cada ano são ajuizados volumes diferentes de processos que de 2009 pra cá, diminuiu significativamente. Atualmente, estamos ajuizando pouco mais de 1.000 processos.

Nas conciliações os resultados são positivos?

Todas as conciliações foram positivas. Recordo-me de pouquíssimas audiências entre todas que realizei, que não foram positivas.

Que tipo de tributo sofre mais ajuizamento?

De todos, acredito que a maioria dos ajuizamentos sejam de IPTU e de Taxa de Localização (TLL). A problemática da TLL é que, a grande maioria das empresas executadas deixaram de exercer atividade já há algum tempo, mas não comunicaram o encerramento das atividades à Prefeitura, o que acaba gerando lançamentos anuais, já que a baixa é de forma pessoal, devendo ser solicitada pelo contribuinte.


Possibilidade de redirecionamento da execução fiscal contra os sócios?

O entendimento dos tribunais tem se pacificado, no sentido de que o redirecionamento da Execução Fiscal face ao sócio-gerente de uma empresa somente é cabível quando demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao estatuto, ou dissolução irregular da empresa, não incluindo aqui o simples inadimplemento de obrigações tributárias. Uma vez deferido o direcionamento pela desconsideração da personalidade jurídica, cabe aos sócios, a prova de que não agiram com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder. O que tem ocorrido frequentemente aqui no Município de Brusque, é o fato de que as empresas deixam de exercer a atividade sem efetivar a comunicação e o cancelamento do cadastro junto ao Fisco Municipal. O que temos adotado, até mesmo pelo Princípio da Legalidade, é a busca exaustiva pela intimação dos sócios para que, cientificados da existência de dívidas tributárias, providenciem a regularização junto à Fazenda Pública Municipal.


Fale um pouco de sua trajetória profissional e da sua história de vida?

Comecei a trabalhar contrariando minha mãe, pois ela queria que eu me dedicasse aos estudos. Meu primeiro emprego foi na COAMO (Cooperativa Agropecuária Mourãoense). Participei de vários testes e provas para uma única vaga. Acabei assumindo o cargo. Foi o maior período de aprendizagem que tive. Tive grandes lições que serviram e ainda servirá para a minha vida profissional toda. Quando cursava Pedagogia, assumi uma turma de crianças excepcionais, foi muito gratificante trabalhar com eles durante aquele período e participar com eles das conquistas que cada um alcançava. Posteriormente assumi o Departamento Pessoal de uma empresa multinacional, que me trouxe grande experiência na área trabalhista, o que me resultou em um convite posterior para atuar como Consultora Trabalhista. Na verdade, minha área de atuação sempre foi trabalhista, mas quando me mudei para Brusque, após minha aprovação na OAB, assumi o Executivo Fiscal, que foi pra mim, um grande desafio. Depois de um tempo atuando na área tributária, acabei me obrigando a me ausentar por um período de tempo do trabalho por causa de uma doença grave que ainda estou me recuperando. Quando retornei ao trabalho, comecei a cursar Pós Graduação em Direito Tributário na Univali, para desenvolver da melhor maneira possível o trabalho a que me propus a realizar.

Qual seu hobby preferido?

Desde criança gostei muito de plantas e flores. Quando eu era criança, a casa da minha mãe era cheia de plantas. Daí nasceu a minha paixão: Bonsai. Desde os 16 anos quando fiz meu primeiro curso, passei a ler e a participar de uma associação de bonsaístas em Maringá. Meus instrutores que mais marcaram foi o Arthur em Maringá, e o Carlos Tramujas de Curitiba.

Quais medos você tem ou teve?

De adoecer e não poder trabalhar. O trabalho, pra mim, não é apenas uma atividade necessária, mas também uma atividade prazerosa. Conhecemos pessoas, fazemos novos contatos, novas experiências e principalmente novos conhecimentos.

Maior medo é o de envelhecer ou o de entristecer?

Acho que meu maior medo é de envelhecer. Ainda não estou preparada para envelhecer.

Arrependimentos?

Tive muitos. Acho que o maior dele foi de não ter cursado Direito logo em meu primeiro curso superior. Minha trajetória de vida poderia ser bem diferente hoje, apesar de que, essa diversificação de cursos me trouxe experiências imensuráveis.

Qual foi o maior desafio até agora?

Acho que é perdoar. Ainda não consigo lidar muito com isso.

'Você se arrependeu de alguma coisa que disse ou que fez?

Já me arrependi de muitas coisas que fiz. Das que disse, não, pois penso muito antes. Tenho um ditado “Há coisas que não voltam mais atrás: uma delas é a palavra depois de proferida”.

Algum fato que ficou atravessado?

Quando estava na 8ª série, fizemos um trabalho para a feira de ciências sobre a Camada de ozônio e nosso grupo ficou em 2° lugar. O primeiro grupo ficou para uma turma que eu havia discutido. O pior foi que a minha irmã, que fazia parte da equipe julgadora nos fez uma pergunta que não soubemos responder, o que resultou no segundo lugar.

Algo que você apostou e não deu certo?

Sou muito cautelosa. Posso dizer que já apostei em muitas coisas, mas de tudo, apenas digo que: não posso dizer que não deu certo. Tenho vários objetivos, e ainda estou lutando para alcançá-los.

O que faria se estivesse no inicio da carreira e não teve coragem de fazer?

Acredito que montar meu próprio escritório. Vejo hoje muitos recém formados que tem sucesso nos seus empreendimentos. A falta de experiência me trouxe insegurança, o que acabei não realizando.

O que você aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve, no seu dia a dia?

Tive um professor que até hoje me lembro com carinho dele – Herick Mardegan. Ele me ensinou que nunca devemos desistir de nossos sonhos. Devo a ele as minhas conquistas.

Quais as maiores decepções e alegrias que teve?

Minha maior alegria foi sem dúvida, o nascimento do meu filho Gabriel. Analiso minha vida em duas etapas, uma antes dele, e a outra, após o nascimento dele.

Decepções, tive muitas, umas mais doloridas do que outras, mas sempre trabalhamos para levantar a cabeça, superar as dificuldades e dar a volta por cima.

Qual é a sua maior ambição?

Tenho muitas, mas tenho a consciência que tenho que galgar um degrau por vez.

O que mais incomoda?

É a pessoa “soberba” ou o chamado “estrelismo”. São pessoas egocêntricas e egoístas.

De que sente orgulho?

Sinto orgulho da minha família. Somos uma família muito unida. Me orgulho também da estrutura, da educação e dos valores que minha família me passou.

Em quem tem fé?

Tenho muita fé em Deus. Se não tivesse, não teria me curado desta doença que poderia ter me tirado a vida.

Referências

  • Entrevista publicada no EM FOCO em 23.08.13.
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